Bagnaia acerta de novo, prolonga boa fase e mantém pressão em Quartararo em Austin

Com a terceira pole consecutiva, o italiano vai para o GP das Américas como um dos favoritos à vitória. Mesmo com 48 pontos de atraso na classificação, o italiano tem feito a parte dele para pressionar o líder da Yamaha

Quando a fase é boa, não tem ondulação no asfalto e nem adversário reinante que atrapalhe. Em um circuito de Austin conhecido por ser território de Marc Márquez ― que tinha conquistado 100% das poles para o GP das Américas até então ―, Francesco Bagnaia cresceu na hora mais importante do fim de semana até aqui e engatou a terceira pole-position da temporada 2021 da MotoGP.

Na tarde deste sábado (2), o piloto da Ducati anotou 2min02s781 e garantiu a ponta da grelha no Texas com 0s348 de margem para Fabio Quartararo, o segundo colocado. É a terceira corrida seguida que o jovem de Torino vai iniciar do topo do grid, repetindo um feito registrado pela última vez na classe rainha por um italiano em 2009, com Valentino Rossi. Além disso, é a primeira vez desde Casey Stoner, em 2008, que a Ducati faz três ou mais poles seguidas. É também a primeira vez desde 2005 que um piloto nascido na Itália fatura três vezes seguidas a posição de honra no grid da MotoGP a bordo de uma moto do mesmo país.

Fabio Quartararo e Francesco Bagnaia seguem se enfrentando pelo título da MotoGP (Foto: Yamaha)

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O pupilo de Valentino Rossi está em missão neste fim de temporada: cortar a vantagem de Fabio Quartararo na briga pelo título. No momento, os dois estão separados por 48 pontos, com 100 ainda em disputa, inclusive os 25 deste fim de semana.

Depois de duas vitórias em situações completamente diferentes ― em Aragão e Misano ―, não é difícil ver o italiano no rol dos favoritos ao GP das Américas, mas além do bom ritmo dos rivais, a preocupação com o asfalto é uma constante. As ondulações na pista são muitas, especialmente entre as curvas 2 e 10, o que aumenta o risco de queda e dificulta o trabalho dos pilotos.

“No início do fim de semana, estávamos nos perdendo com o acerto, pois estávamos tentando adaptar à moto aos buracos, mas, ao fazer isso, estávamos limitando a minha sensação com a moto”, relatou Bagnaia à emissora italiana Sky Sports. “No TL4, decidimos voltar ao acerto de Misano e imediatamente me senti muito melhor. É tudo uma questão de feeling. Esta manhã, tive de me adaptar à moto, mas, assim que encontrei as sensações que queria, conseguir ser rápido”, detalhou.

Forte ao longo de todo o fim de semana, Jack Miller deu uma mão ao companheiro de equipe e o ensinou as melhores linhas no primeiro setor de Austin.

Marc Márquez não largada na primeira fila desde a abertura da temporada passada (Foto: Repsol)

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“Tenho de agradecer ao Jack, que, no TL4, ficou na minha frente e me ensinou como passar pelo primeiro setor. Ele tem sido monstruoso naquele setor em todo o fim de semana. Tentei acompanhá-lo e imediatamente notei uma grande melhora”, indicou.

Pecco destacou uma mudança de postura na temporada, já que, no passado, quando um fim de semana começava difícil, era pouco comum mudar a sorte.

“Normalmente, quando um fim de semana começava ruim, nós dificilmente nos fortalecíamos. Mas agora conseguimos a pole”, comentou. “Ainda não sabemos qual pneu usaremos na corrida, mas temos algumas ideias. No TL4, mostramos um bom ritmo, embora ainda não estivesse 100% na minha moto. Estou realmente feliz”, resumiu.

Longe da vitória desde o GP da Grã-Bretanha, Quartararo tem sido presença constante no pódio, mas, desta vez, terá de se preocupar não só com a força da Ducati ― que colocou cinco motos no top-10 do grid ―, mas também com as Honda e as Suzuki.

“É ótimo estar na primeira fila, mas estou com dificuldade para dar aquele passo extra na classificação com o pneu macio. Vamos tentar entender o motivo”, contou Fabio. “Estou muito feliz, pois não me senti muito bem durante os treinos, mas fui para cima na classificação”, seguiu.

Jack Miller decepcionou na classificação deste sábado (Foto: Ducati)

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“É sempre ótimo começar na primeira fila. Vamos ver o que poderemos fazer amanhã”, comentou. “Nosso ritmo não é tão mal. Veremos qual pneu vamos usar”, disse.

Longe da primeira fila do grid da MotoGP a 441 dias ― desde o terceiro lugar no GP da Espanha do ano passado ―, Marc Márquez conseguiu ficar com a última posição da primeira fila. Assim, perde a invencibilidade das classificações de Austin, assim como já tinha perdido nas corridas em 2019, quando a vitória ficou com Álex Rins.

“Estou muito feliz pela primeira fila, porque estou com muita dificuldade na volta rápida neste ano”, disse Marc. “Tinha certeza de que as Ducati seriam competitivas, mas não esperava ver Pecco na pole. Ele foi rápido demais para nós na volta rápida”, reconheceu.

“Tivemos um bom sábado e estou feliz. No TL4, nós conseguimos entender muitas coisas”, relatou. “Amanhã terei de controlar a corrida de uma maneira inteligente. Fisicamente, poderei lutar no sábado”, garantiu.

Oitavo no grid de Austin, Joan Mir cravou 2min03s528 e ficou a 0s747 de Bagnaia. No entanto, o espanhol foi um dos que mostrou melhor ritmo em Austin. O piloto da Suzuki, porém, sofreu uma quebra neste sábado, algo que ainda não foi identificado pela equipe.

“Não sei exatamente o que aconteceu, mas parece que foi algo no motor. Naquele momento, fiquei um pouco assustado, principalmente porque aconteceu em uma área de aceleração, mas tudo correu bem”, contou rindo.

Depois da queda, Joan se empenhou em garantir o retorno rápido da GSX-RR aos boxes.

Joan Mir mostrou um ritmo forte em Austin (Foto: Suzuki)

“A primeira moto tinha algumas especificações que não estavam na segunda. Consequentemente, garanti que a moto voltasse imediatamente para os boxes, digamos que para preparar a segunda”, detalhou.

“O potencial da moto está lá. Vi Álex [Rins] sempre competitivo, mas, no fim, conseguimos encontrar algumas soluções e consegui ser rápido”, apontou. “O pneu macio não é uma opção para a corrida, pois desgasta muito. Por outro lado, não consegui testar o duro, mas a escolha será entre ele e o médio”, frisou.

Destaque ao longo de todo o fim de semana, Jack Miller decepcionou na classificação. O australiano cravou 2min03s720 e ficou apenas em décimo, 0s939 atrás do companheiro de equipe.

“Não estou nada feliz com a maneira como a classificação correu nesta tarde”, desabafou. “A equipe está trabalhando realmente bem: fomos rápidos durante todo o fim de semana, mas, infelizmente, no Q2, não encontrei as condições de repetir o que fiz nas sessões anteriores”, lamentou.

“Não será uma corrida fácil, começando tão de trás, mas sei que sou rápido e tenho um bom potencial”, ressaltou. “Será importante fazer uma boa largada para ganhar terreno imediatamente e ficar na frente dos outros”, defendeu.

A largada do GP das Américas de MotoGP, em Austin, acontece no domingo (3), às 16h (de Brasília). O GRANDE PRÊMIO acompanha todas as atividades do Mundial de Motovelocidade 2021.

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