Bagnaia atesta força da Ducati e tenta se livrar do azar em Aragão de rivais fortes na MotoGP

Depois de muitos tropicões aqui e ali, o piloto de Torino vai para o GP de Aragão tentando despachar a má sorte e, enfim, conquistar a primeira vitória na MotoGP. Mas a força das Desmosedici não permite ignorar nem os colegas de marca e nem Fabio Quartararo e Marc Márquez

A Ducati ratificou o bom desempenho mostrado na sexta-feira e colocou cinco das seis motos que têm na MotoGP no top-10 do grid de largada para o GP de Aragão. Neste 11 de setembro, Francesco Bagnaia deu à casa de Bolonha a 50ª pole-position na classe rainha do Mundial de Motovelocidade, destruindo o recorde do MotorLand, que perdurou por seis anos.

O piloto de Torino garantiu a posição de honra ao anotar 1min46s322, baixando em 0s313 o recorde que tinha sido estabelecido por Marc Márquez ainda em 2015. Além disso, o jovem de 24 anos liderou a primeira dobradinha da Ducati desde que Jorge Lorenzo e Andrea Dovizioso puxaram a fila em 2018, também na pista de Alcañiz.

Francesco Bagnaia assegurou a pole-position no GP de Aragão (Foto: Divulgação/MotoGP)

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Fatos e curiosidades sobre o GP de Aragão de MotoGP

Além do bom desempenho na tomada de tempo, Pecco também mostrou um ritmo de corrida forte. O italiano foi um dos três que mais voltas completou em 1min48s no treino 4, que os pilotos normalmente dedicam para as simulações de corrida.

Assim, o integrante da Academia de Pilotos VR46 figura na lista dos favoritos à vitória no GP de Aragão. O fato, porém, é que Pecco já bateu na trave algumas vezes: no GP da Grã-Bretanha, por exemplo, Bagnaia teve problemas com pneus em um fim de semana em que vinha bastante forte. Na Itália, o parceiro de Miller caiu quando liderava a disputa. Na Áustria, foi a chuva que pregou uma peça e barrou o sonho do primeiro triunfo.

“Não penso que vamos ter má sorte amanhã. Espero ter uma situação normal”, disse Bagnaia. “Em Silverstone, tivemos um problema com o pneu e aí não cabe a mim. Espero terá corrida da mesma maneira que todo o fim de semana correu até aqui”, torceu.

“Espero largar bem amanhã, tratar de marcar o meu ritmo e ver o que ocorre nas primeiras 17 ou 18 voltas. Acho que na última parte da corrida, alguma coisa pode acontecer”, opinou. “Tudo depende do consumo dos pneus. E acho que aí seremos fortes. Se sou forte e venço, será fantástico, mas o importante é estar na frente o tempo todo e chegar no final com opções”, avaliou.

Pecco explicou que chegou a comparar a própria performance com Jorge Martín e considerou que a Desmosedici trabalhou muito bem nas curvas.

“Foi uma volta perfeita. No primeiro setor, já estava quatro décimos abaixo do meu melhor tempo até então. A moto nos ajudou muito na entrada das curvas”, apontou. “Comparei os dados de Jorge Martín no último setor, que estava indo melhor do que eu até então, é conseguimos fazer igual a ele. Eu não esperava, mas estou muito contente”, frisou.

Jack Miller ficou com o segundo posto no grid (Foto: Divulgação/MotoGP)

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A performance deste sábado é um evidente contraste em relação ao ano passado, quando o melhor resultado da Ducati no grid foi o quinto lugar: com Miller no GP de Aragão e com Johann Zarco no GP de Teruel. No caso específico de Bagnaia, o italiano largou em 17º e 18º respectivamente, apresentando uma melhora de 1s437 na comparação entre a pole deste ano e a melhor volta de classificação de 2020.

“Quando cheguei aqui na quinta-feira, tinha muitas dúvidas. Pensava muito em como ser rápido neste circuito, onde sempre tive dificuldades, mas depois do TL1, as minhas sensações melhoraram muito”, relatou. “Desde Silverstone, não mudei nada e me senti bem em cima da moto, só tentei ser mais competitivo em nível de pilotagem”, detalhou.

“É um grande dia para a Ducati. Miller, [Jorge] Martín, [Johann] Zarco, [Enea] Bastianini… Todas as Ducati estão no top-10, com exceção de [Luca] Marini. Sem dúvida, é um grande resultado”, comemorou.

Pecco alertou, ainda, que será importante fazer uma escolha certeira de pneus. Até aqui, o duro parece ser a melhor opção para a dianteira, já que oferece um bom suporte com a temperatura elevada da pista e uma aderência. Na traseira, porém, a escolha é mais difícil, já que treinos indicam que é possível correr com as três opções, apesar de ainda restar uma dúvida em relação ao desgaste.

“Acho que o pneu macio traseiro nos oferece uma boa combinação de aderência e constância. O duro não ia mal, mas eu estava mais forte com o macio”, contou Bagnaia. “Dei muitas voltas no TL4 e tive um ritmo constante, provando diferentes mapas de potência, então acho que posso chegar ao final”, considerou.

“Dá para rodar no máximo o tempo todo, porque é possível controlar a aderência neste circuito. Forcei e tudo me saia confortavelmente. Fiz um bom ritmo com 26 voltas no pneu, três a mais do que a distância da corrida”, lembrou. “Vi o ritmo de [Marc] Márquez, que é muito competitivo, mas nós também temos um ritmo para lutar até o final”, garantiu.

Fabio Quartararo não está muito confiante na vitória (Foto: Divulgação/MotoGP)

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0s366 mais lento que o companheiro de equipe, Jack tem um ritmo de prova parecido com o de Francesco.

“Foi um dia fantástico para a Ducati, e estou muito feliz, tanto por Pecco quanto por mim”, começou Miller. “Demos grandes passos à frente, considerando que no ano passado nós dois não conseguimos passar do Q1 e amanhã vamos largar em primeiro e segundo no grid”, continuou o australiano, que largou apenas 14º no GP de Teruel de 2020.

“Me sinto confortável na moto e estou feliz com o meu ritmo, então estou pronto para a corrida de amanhã”, assegurou. “Espero uma corrida muito disputada, com muitos pilotos prontos para lutar pela vitória, então teremos de tentar adotar uma estratégia inteligente e gerir bem os pneus”, alertou.

Com 1min46s878, Jorge Martín foi a terceira melhor Ducati do dia e vai largar em quinto. O piloto da Pramac sai logo atrás de Marc Márquez, que foi quem o tirou do GP da Grã-Bretanha.

“Não vou pensar nisso amanhã. Quando estiver no grid, só vou pensar em largar o melhor possível”, disse Marc. “Temos de estudar bem para onde ir, se por dentro ou por fora do traçado, e não nos metermos em problemas. Se entrar na corrida sendo agressivo, vou tentar tirar alguns pilotos da frente, então serei agressivo nas primeiras curvas”, seguiu.

Jorge considerou que vai forte para a corrida, mas lembrou que Marc e Fabio Quartararo não podem ser descartados.

“Me vejo forte, mas os quatro pilotos que tenho na frente também estão muito fortes. Não me vejo longe das Ducati oficiais, mas acho que Marc e Fabio têm um pouquinho mais”, avaliou.

Estreante na MotoGP em 2021, Enea Bastianini anotou 1min47s278 e garantiu a nona colocação no grid, 0s956 mais lento do que Bagnaia.

Marc Márquez é sempre favorito em Aragão (Foto: Repsol)

“Estou contente, porque foi o meu primeiro Q2 da temporada e me senti bastante bem durante todo o dia. Foi uma pena não poder fechar a segunda volta rápida, além de ter sofrido um pouco com o pneu dianteiro, pois não consegui fazer o tempo que queria”, relatou Enea. “De todas as formas, é bom começar na terceira fila. Mostramos um bom ritmo também nos treinos, então acho que podemos ver uma boa corrida amanhã”, sublinhou.

Johann Zarco cravou 1min47s288 e ficou na décima colocação. E não escondeu a decepção com o resultado.

“Estou um pouco decepcionado. Cometi o mesmo erro que cometi em Silverstone e não consegui extrair o máximo do pneu novo, consequentemente perdendo tempo” admitiu Johann. “Amanhã vou largar na quarta fila e dar tudo de mim para ter uma boa corrida”, avisou.

Apesar da grande forma exibida pela Ducati, não dá para descartar Fabio Quartararo. 0s397 mais lento que o tempo da pole, o líder do Mundial vai iniciar a corrida em terceiro, mas não se vê com grande potencial para brigar pelo pódio.

“Sabia que era bastante rápido em uma volta. No ano passado, já tínhamos feito a pole aqui, mas as Ducati não eram tão rápidas naquela época. Foi algo inesperado para mim, mas estou contente com o tempo que fiz, porque acho que é o melhor que eu podia conseguir”, ponderou. “Posso melhorar na última curva, existe uma combinação de fatores que nos faz ser lentos ali. Amanhã trataremos de melhorar e trabalhar na pilotagem na última curva pensando na corrida”, continuou.

“Não marco um objetivo claro para amanhã. Quero me divertir, seria fantástico lutar pelo pódio, mas, para ser sincero, não sinto que tenha ritmo suficiente para estar nessa batalha”, assumiu. “Vou tentar me manter próximo dos pilotos da ponta e brigar até o final. Mas temos de ser capazes de dar um passo adiante no warm-up para poder pensar em lutar pelo pódio”, destacou.

Um dos recursos será olhar os dados de Franco Morbidelli no ano passado, já que o ítalo-brasileiro venceu o GP de Teruel na frente das Suzuki de Álex Rins e Joan Mir.

Quem também não pode ser descartado é Marc Márquez. Apesar de o hexacampeão ainda estar sofrendo as consequências da fratura que sofreu no braço direito no início do ano passado, o titular da Honda é o maior vencedor da pista de Alcañiz, com cinco triunfos na classe rainha.

Jorge Martín também é cotado para a briga no MotorLand (Foto: Pramac)

“Hoje terminamos em quarto. Esse era nosso objetivo, então é muito bom. No TL4, me senti bem com os pneus usados, isso é positivo porque fui capaz de andar bem”, pontuou Márquez.

“Amanhã, vamos ver qual será minha condição e se conseguiremos lutar no pelotão da frente durante toda a corrida. Alcançamos um bom ritmo, mas 23 voltas em Aragão serão longas. Veremos o que acontece, mas vamos tentar tirar o máximo da situação”, garantiu.

Apesar de ser um ano sem resultados expressivos, o fato de ser um circuito anti-horário coloca o espanhol como favorito, já que além de minimizar as dificuldades físicas dele, é também uma característica que Marc sempre gostou. E foi justamente em um cenário como este que o irmão de Álex conquistou o único pódio de 2021: a vitória no GP da Alemanha.

Durante o fim de semana em Sachsenring, Marc fechou o sábado assegurando que a invencibilidade no traçado cairia no dia seguinte. Mas isso não aconteceu.

“Vou dizer o mesmo, quem sabe do mesmo jeito”, brincou. “No momento, não tenho o nível ou a capacidade de fazer todas as voltas ao máximo, da primeira a última, e aqui estou sofrendo mais do que na Alemanha, pois o circuito ali é mais especial, não existem só mudas de direção e me sentia mais confortável, mas aqui não estou preparado, não tenho nível suficiente ou condição física suficiente para fazer todas as voltas ao máximo como eu gostaria. Mas tenho nível suficiente para estar na frente, então vamos ver como posso controlar as coisas, mas as Ducati são muito rápidas, especialmente Bagnaia, mas também Quartararo e Mir. Um pódio seria um presente, mas vai ser muito difícil”, encerrou.

A largada do GP de Aragão de MotoGP está marcada para as 9h (de Brasília) de domingo (12). O GRANDE PRÊMIO acompanha todas as atividades do Mundial de Motovelocidade 2021.

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