KTM reduz perda da saída de Pol Espargaró com Petrucci e corrige injustiça com Oliveira

O anúncio do line-up de 2021 evidencia erros, acertos e surpresas na estratégia da KTM. No entanto, a garantia de que as quatro RC16 serão na especificação completa de fábrica dá condição de igualdade a Miguel Oliveira, Brad Binder, Danilo Petrucci e Iker Lecuona

Não deu para a KTM. Apesar de mostrar sólida evolução ao longo dos anos, a caçula entre as construtoras da MotoGP não conseguiu manter Pol Espargaró. Responsável pelo único pódio da marca de Mattighofen na classe rainha do Mundial de Motovelocidade, o catalão vai se despedir da RC16 no fim deste ano. O destino? A opção mais provável é a Honda, mas o #44 ainda é especulado como substituto de Andrea Dovizioso na Ducati, já que as negociações com o italiano empacaram na questão financeira.

O anúncio do futuro de Pol, porém, não deve tardar, já que a fábrica austríaca deixou o caminho livre para a concorrência. Apesar de a rival de Bolonha ainda estar no páreo, a marca da asa dourada aparece como a melhor opção. Afinal, a RC16 guarda suas semelhanças com a RC213V, ou seja, se ajusta bem ao estilo de pilotagem do irmão de Aleix.

Mas o futuro de Pol é assunto para outra hora. Por enquanto, o que é certo é que a KTM perde com a saída do #44. Segundo piloto a ser contratado pela marca ― logo depois de Bradley Smith ―, o caçula dos Espargaró tomou o protagonismo para si desde a primeira temporada, em 2017.

MotoGP KTM Pit Beirer Danilo Petrucci
Pit Beirer escolheu a experiência de Danilo Petrucci (Foto: KTM)
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No ano da estreia do protótipo austríaco, o piloto de Granollers levou a KTM ao 17º posto no Mundial de Pilotos, melhorando para 14º no ano seguinte. Na temporada passada, Pol praticamente dobrou a pontuação do ano anterior e chegou à 11ª colocação, com 100 tentos. Nestes três anos, o melhor resultado de um companheiro de marca foi obtido por Miguel Oliveira, que, rodando pela satélite Tech3, fechou o ano passado com o 17º lugar, com 33 pontos.

Assim, Pol sempre foi o líder natural do projeto e tampouco escondia a animação por trabalhar lado a lado com Dani Pedrosa, contratado para o posto de piloto de testes. Com a evolução conseguida pela KTM com a tutela do #26, Espargaró vinha avançando mais e mais e os testes de pré-temporada apontaram para mais um passo da KTM.

Lógico pensar, então, que a KTM perde com a saída de Pol. Além dos três anos com a RC16, o catalão tinha outros três de experiência com a Yamaha da Tech3. Antes disso, três temporadas de Moto2 ― inclusive com o título de 2013 ― e mais quatro campeonatos completos nas 125cc.

Amparada na filosofia de buscar um campeão ‘Made in Mattighofen’, a KTM conta com um time jovem. E, justamente por isso, precisava de alguém mais preparado para assumir o posto de Pol na liderança do desenvolvimento. Sem o catalão, restariam apenas Miguel Oliveira ― que tem no currículo só 16 GPs na classe rainha ―, e os estreantes Brad Binder e Iker Lecuona.

A KTM, obviamente, precisava de experiência, de quilometragem na classe rainha. Assim, as melhores opções estavam mesmo sob contrato com a Ducati: Danilo Petrucci e Andrea Dovizioso.

Junto de Gigi Dall’Igna, o #4 conduziu muito bem o desenvolvimento da Desmosedici, mas, aos 34 anos, não tem mais tempo para evoluir um protótipo e sonhar com o título. Se quiser ser campeão, o caminho de Dovizioso é mesmo a Ducati.

A situação de Danilo, porém, era outra. Preterido em favor de Jack Miller na esquadra de Borgo Panigale, o italiano de Terni tinha uma oferta da marca para migrar para o Mundial de Superbike, mas estava mesmo disposto a provar seu talento na MotoGP.

Neste cenário, o #9 tinha duas únicas opções: Aprilia ou KTM. A casa de Noale deu um importante passo com a RS-GP, mas a vaga está aberta unicamente por conta da suspensão por doping de Andrea Iannone. O time comandado por Massino Rivola não esconde que quer seguir contando com o #29, mas o destino do italiano agora está nas mãos do Tribunal Arbitral do Esporte ― o ex-piloto de Pramac, Ducati e Suzuki recorreu para tentar diminuir a suspensão de 18 meses, mas a Agência Mundial Antidoping também se envolveu, pedindo um gancho de quatro anos.

Por enquanto, ninguém sabe ao certo o que será de Iannone. Mas, se por um golpe de sorte, o italiano reverter a condenação, a vaga da Aprilia volta a ter dono.

Sendo assim, a KTM era mesmo a bola da vez. Os austríacos precisavam de um líder para o projeto, então quem melhor do que um piloto que teve a nada gloriosa oportunidade de guiar a pior moto do grid ― a Ioda-Suter ― até chegar a uma das melhores ― a Ducati ― no intervalo de 137 GPs disputados entre 2012 e 2019?

Danilo precisava de um lugar para correr. A KTM precisava de um novo líder. Lógico, então, que a escolha da divisão esportiva comandada por Pit Beirer fosse por um piloto que tem 8,5 vezes mais experiência que seus outros três titulares combinados.

A expectativa era que de Danilo assumisse a vaga de Pol no time principal, mas o anúncio da KTM trouxe uma surpresa: o italiano vai correr com a Tech3, ao lado de Iker Lecuona. Uma escolha que tem relação com Johann Zarco.

No ano passado, quando precisou substituir o francês ― que abandonou um contrato de dois anos antes mesmo de cumprir metade do vínculo ―, a KTM acabou cometendo uma injustiça com Miguel Oliveira. O português, que vinha fazendo uma boa temporada de estreia, era o substituto natural, mas acabou sendo ‘ultrapassado’ por Brad Binder, que ainda tentava fazer frente à Álex Márquez na disputa pelo título da Moto2.

A KTM alegou que foi uma opção de Miguel ficar com a Tech3 ― desde que tivesse o mesmo tratamento técnico do time de fábrica ―, mas o #88 se sentiu desprivilegiado quando o escolhido para o posto de titular foi Binder e não Mika Kallio, o piloto de testes que nunca escondeu que queria o lugar na MotoGP.

Moto2 KTM Brad Binder Miguel Oliveira
Brad Binder e Miguel Oliveirajpa formaram par na Moto2 (Foto: KTM)

Miguel reclamou via imprensa, causando um climão pouco agradável. Agora, então, a KTM corrige o prumo e coloca o português de Pragal no lugar que já deveria ter sido dele na substituição a Zarco.

De acordo com a imprensa italiana, a casa de Mattighofen tentou passar Binder para a Tech3, mas o contrato negociado pelo experiente Aki Ajo conta com uma cláusula que garante ao sul-africano o time de fábrica em seu segundo ano na MotoGP. Um lance esperto ― que deveriam ter pensado em replicar com Álex Márquez e a Honda.

Desta forma, não restava mesmo opção. No entanto, não é ruim para Petrucci estar no time de Hervé Poncharal. A Tech3 é uma equipe de qualidade comprovada e, já que vai contar com um protótipo nas mesmas especificações do time oficial, não deve ter lá grandes barreiras de performance.

A KTM, então, conseguiu o piloto experiente de que precisava. Danilo, por sua vez, segue firme na meta de provar seu talento na MotoGP e com condições similares às que teve nos tempos de Pramac. Oliveira é, enfim, promovido ao time oficial. Binder cumpre o contrato e faz o primeiro ano na classe rainha confortável com o destino assegurado. Menos badalado do quarteto, Iker Lecuona também se deu bem, já que foi confirmado sem precisar mostrar muita coisa antes da estreia.

Mas tem um porém. Neste caso, Jorge Martín foi quem deu com a cara na porta em Mattighofen. Indo para o segundo ano na Moto2, o espanhol sonhava com essa promoção. Mas nem tudo está perdido. Afinal, ele está muito bem cotado para um lugar na Pramac.

No fim, a KTM fez o melhor que dava com o que tinha em mãos. E Petrucci também não parece ter feito a pior opção. Além do fantasma de Iannone, a Aprilia sempre mostrou ter um ritmo mais lento de desenvolvimento. A marca austríaca era mesmo a melhor cartada.

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