Ferrari lidera primeiro dia nos EUA. Mas só se fala em outra coisa na Fórmula 1

Em um dia marcado pelos testes de pneus para 2023 e liderança da Ferrari, pouco se tira do trabalho específico das equipes para o fim de semana em Austin. Mas se na pista o ambiente é mais ameno e previsível, fora dela o clima é quente. O imbróglio envolvendo a FIA e a Red Bull sobre a violação do teto orçamentário segue nas manchetes, bem como a tardia análise sobre os eventos do GP do Japão

A sexta-feira (21) de treinos livres da Fórmula 1 nos Estados Unidos foi particularmente agitada. Nem tanto na pista, é verdade, mas, ainda assim, muito movimentada. Acontece que o dia de atividades ficou longe de qualquer padrão do ponto de vista técnico. Por causa dos testes de pneus, as equipes tiveram de mudar a programação em Austin e só o sábado mesmo é que vai revelar mais sobre o potencial cenário para domingo, ainda que a Ferrari tenha liderado as ações. O caso é que o paddock do Circuito das Américas seguiu mais quente. Isso porque a infração cometida pela Red Bull com relação ao teto orçamentário continua muito forte nas manchetes, acompanhada do relatório tardio publicado pela FIA (Federação Internacional de Automobilismo) sobre os imprudentes eventos ocorridos durante o GP do Japão, disputado há duas semanas.

Muito embora Max Verstappen já tenha assegurado o bicampeonato em 2022, a F1 ainda discute a intensa temporada passada. A revelação de que a equipe taurina, de fato, excedeu o limite de gastos imposto pelo regulamento já seria por si só amplamente debatida, mas a informação de que a FIA propôs um acordo acabou por estabelecer novos parâmetros. E esse foi o principal assunto do dia.

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A notícia sobre o possível acerto é da emissora BBC. O cenário que se desenha é o seguinte: a entidade que rege o esporte entende que pode colocar um ponto final no imbróglio, assegurando também que nada mude no que diz respeito ao campeonato passado. Na prática, a ideia é que a esquadra dos energéticos assuma a culpa e cumpra uma sanção menor – uma espécie de delação premiada. Alguns entendem como um preço baixo a ser pago, ainda que o próprio time, no papel do chefe Christian Horner, não esteja totalmente satisfeito com os termos. Fala-se em limitação do uso do túnel de vento e outras restrições.

O caso lembra muito o acordo feito com a Ferrari e seu motor controverso em 2019.

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Mohammed Ben Sulayem, presidente da FIA, conversa com Toto Wolff, da Mercedes, durante os treinos em Austin (Foto: Reprodução/TV)

No entanto, esse movimento não é visto com bons olhos por setores do paddock. “Eu acho que o esporte precisa fazer algo sobre isso no futuro”, afirmou Lewis Hamilton ao comentar o assunto na quinta-feira. “Caso contrário, se relaxarem com relação às regras, todas as equipes simplesmente vão passar o teto e gastar milhões. Isso não é bom para o esporte, porque não vai existir mais um limite no futuro”, completou o britânico, que vê a “integridade” da FIA em risco.

O presidente do órgão máximo, Mohammed Ben Sulayem, foi flagrado durante os treinos em conversas com Toto Wolff, chefão da Mercedes, e outros mandatários. Inclusive, a equipe havia agendado uma coletiva de imprensa extraordinária para esta sexta, mas não a realizou. Os rumores deram conta de que Horner buscava uma reunião mais cedo com Ben Sulayem, o que acabou não acontecendo. O encontro só ocorreu no fim do dia.

Por ora, tudo navega no mar de especulações, o que nunca é um bom sinal. Uma vez mais, isso acontece também por conta falta de transparência da FIA. Até o momento não há qualquer informação sobre qual foi exatamente a violação dos taurinos – apenas que foi uma infração menor, ou seja, algo que não ultrapassou os US$ 7,2 milhões (ou aproximadamente R$ 37 milhões).

O regulamento prevê sanções para casos como esse, que vão desde uma advertência até a perda de pontos, o que comprometeria os resultados de 2021. A questão central aqui e que povoou o dia é: uma delação poderia abrir um precedente perigoso, especialmente em um momento delicado pelo qual passa a FIA – até por tudo que aconteceu no Japão, os problemas envolvendo a direção de prova e o recuo ao ter de optar por apenas um chefe de corrida.

A Red Bull de Christian Horner está na mira da FIA e das demais rivais, como Mercedes e Ferrari (Foto: Red Bull Content Pool)

Neste sábado, ao lado das rivais, Mercedes e Ferrari, Horner está escalado para a entrevista costumeira dos chefes de equipe. Quer dizer, a saga segue.

Já na pista, a sexta-feira revelou pouco sobre o que esperar para o fim de semana nos EUA. Como preparação para a classificação e a corrida, as equipes tiveram só o primeiro treino livre, mas nada conclusivo pode ser feito. O traçado estava ainda muito verde, e isso relativizou o desempenho. Ainda assim, dá para colocar a Ferrari como candidata à pole – é quase uma tradição em 2022. Mas o fato é que o carro vermelho parece ter sido feito para voltas rápidas. Carlos Sainz liderou na primeira sessão, enquanto Charles Leclerc comandou as atividades no fim da tarde.

A Red Bull enfrentou problemas durante o TL2 e não chegou a impressionar, mas a equipe austríaca costuma deixar o melhor para o sábado e domingo, sempre surpreendendo a Ferrari. A Mercedes, por outro lado, levou várias atualizações e promoveu testes ao longo do dia. O Circuito das Américas parece gostar do enigmático W13.

A ressalva aqui vai para os testes de pneus. O segundo treino foi alongado, durou 90 minutos, para que fosse possível examinar os compostos para 2023. A Pirelli direcionou o andamento dos trabalhos. Por exemplo, não houve marcações nos pneus, e as equipes se comprometeram a percorrer em trechos curtos de cinco voltas e mais longos de oito, com diferentes cargas de combustível. Os compostos foram submetidos a temperaturas mais baixas dos cobertores térmicos, medidas já antecipando novas regras.

Álex Palou ficou impressionado com o carro (Foto: AFP)

“Finalmente, conseguimos concluir a primeira parte do programa de testes para 2023 após o clima úmido que cancelou a sessão planejada no Japão. O trabalho que fizemos no TL2 aqui nos permitirá analisar dados valiosos coletados sobre os compostos mais duros, assim como na segunda sessão do próximo fim de semana, na Cidade do México, que nos dará algumas informações úteis sobre os compostos mais macios”, afirmou Mario Isola, o chefe da Pirelli.

“Foi um dia importante. As condições de vento e a superfície irregular também destacaram hoje como o Circuito das Américas continua sendo um dos circuitos mais interessantes para pilotos e engenheiros”, acrescentou.

Por fim, há de se destacar a presença de novos nomes da tabela de tempos da F1 durante o TL1. Robert Shwartzman (Ferrari), Théo Pourchaire (Alfa Romeo) e Logan Sargeant (Williams) foram os novatos do dia e se defenderam bem, assim como Álex Palou, que teve a chance de guiar a McLaren novamente. O espanhol foi capaz de imprimir um bom ritmo, mesmo sem os melhores compostos. Antonio Giovinazzi foi alívio cômico do dia no acidente bizarro com a Haas.

GRANDE PRÊMIO acompanha todas as atividades do GP dos Estados Unidos AO VIVO e EM TEMPO REAL. No sábado, o TL3 está marcado para 16h [de Brasília, GMT-3], enquanto a classificação inicia às 19h.

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