ONGs questionam Fórmula 1 sobre violações aos direitos humanos no Bahrein

Organizações não-governamentais em defesa dos direitos humanos, sindicatos e parlamentares britânicos se uniram e assinaram uma carta endereçada à F1, às equipes do grid, à FIA (Federação Internacional de Automobilismo) e Lewis Hamilton, na qual pede uma investigação independente sobre violações aos direitos humanos no Bahrein

A Fórmula 1 apresentou detalhes do que chama de “circuito de rua mais longo e mais rápido” da Fórmula 1 (Vídeo: Fórmula 1)

A Fórmula 1 vai abrir a temporada 2021 neste fim de semana no Bahrein, nação insular cravada na região do Golfo Pérsico. O país é frequentemente apontado como um grande violador dos direitos humanos, e a ida de um esporte de alcance global, como a Fórmula 1, a um país opressor, é motivo de protestos e indignação. Na última quarta-feira (24), organizações não-governamentais em defesa dos direitos humanos, sindicatos e cerca de 60 parlamentares britânicos se uniram e assinaram uma carta endereçada à Fórmula 1, às equipes do grid, à Federação Internacional de Automobilismo e a Lewis Hamilton. No manifesto, o grupo, que inclui a organização internacional Human Rights Watch e o Instituto para os Direitos e a Democracia no Bahrein, defende uma investigação independente sobre violações aos direitos humanos no país.

Recentemente, uma outra carta foi endereçada por 16 eurodeputados ao Chefe de Política Externa da União Europeia, Josep Borrell, sobre a “terrível condição” dos direitos humanos no Bahrein.

“Estamos profundamente preocupados com a contínua deterioração dos direitos humanos no Bahrein, após um ano em que, como destacado pela Human Rights Watch, houve uma ‘escalada da repressão’ do governo contra os críticos”, diz o manifesto.

BAHREIN; PROTESTOS;
A Fórmula 1 sempre foi alvo de protestos por correr em um país com histórico de violação aos direitos humanos, o Bahrein (Foto: Reprodução)

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“Assim, pedimos que aproveite esta oportunidade para cobrar a contrapartida do Bahrein por seus compromissos com os direitos humanos, levantando os casos de cidadãos com dupla cidadania europeia-barenita, Abdulhadi Al-Khawaja e Sheikh Mohammad Habib Al-Muqdad, e instando o Bahrein a restaurar sua moratória sobre a pena de morte”, acrescenta a carta.

Principal voz da Fórmula 1 em pautas que vão muito além das pistas, Lewis Hamilton se emocionou, no fim do ano passado, quando recebeu o relato do filho de um homem que estava na fila da pena de morte no Bahrein. Segundo a agência de notícias Reuters, o heptacampeão mundial deixou claro que não vai deixar despercebido o debate sobre os direitos humanos.

Ainda de acordo com a Reuters, a Fórmula 1 se pronunciou por meio da sua assessoria de imprensa e reforçou que o esporte é uma “força para o bem” e para unir os povos.

Diz a categoria: “Sempre fomos claros com todos os promotores de corrida e os governos com os quais lidamos em todo o mundo que levamos a violência, o abuso dos direitos humanos e a repressão muito a sério. Nossa política de direitos humanos é muito clara e afirma que as empresas da Fórmula 1 estão comprometidas em respeitar os direitos humanos reconhecidos internacionalmente nas suas operações em todo o mundo”.

“Sempre que possível, monitoramos e auditamos as atividades nos países anfitriões que se relacionam diretamente com a realização de um evento e, nos bastidores, temos conversas significativas com todos os anfitriões sobre os nossos valores e os padrões que esperamos”, salientou.

Entretanto, ainda que diga que leva a sério o abuso aos direitos humanos e à repressão, a Fórmula 1 vai correr em outro país conhecido mundialmente justamente pela repressão e violação aos direitos humanos. Em 5 de dezembro, o Mundial vai promover o primeiro GP da Arábia Saudita da sua história. A categoria assinou, desde o ano passado, acordo de patrocínio com a petrolífera saudita Aramco.

Historicamente, a F1 sempre deu de ombros sobre correr em países em regimes totalitários e onde a violação aos direitos humanos é frequente. Foi assim na época em que esteve na África do Sul durante o apartheid, o nefasto regime de segregação racial, foi também assim quando correu no Brasil e na Argentina no período da ditadura militar, nos anos 1970 e 1980.

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Às vésperas da abertura da temporada de 2011, há dez anos, portanto, o Oriente Médio e o Norte da África viveram o fenômeno da Primavera Árabe, onda revolucionária de protestos. As manifestações ganharam corpo também no Bahrein contra o governo do monarca Hamad bin Isa al-Khalifa.

Ao todo, foram pelo menos oito mortos em manifestações, pelas estatísticas oficiais, enquanto organizações de defesa aos direitos humanos falaram em números muito maiores. O governo do Reino Unido, por exemplo, desaconselhou seus cidadãos a viajarem ao Bahrein para a corrida que seria disputada em 13 de março. Diante de tantos protestos, ameaças e caos político, restou a Bernie Ecclestone, ainda que muito a contragosto, cancelar, em 22 de fevereiro, a prova que marcaria o início da temporada 2011.

A situação social do Bahrein não melhorou muito em 2012. Os protestos continuaram, embora em menor intensidade, e o clamor popular não arrefeceu. A tensão era muito grande, e muito se falou em um possível boicote. Diferente do ano anterior, mesmo com um cenário difícil, a corrida foi em frente. Naquela ocasião, com medo de um eventual ataque, a Force India deixou o circuito mais cedo e em comboio as dependências de Sakhir e não andou no segundo treino livre de sexta-feira. A ‘punição’ imposta pela F1 foi não mostrar a equipe da transmissão do terceiro treino e da classificação no sábado. De 2012 em diante, o Bahrein sempre figurou no calendário da F1.

Diante da carta enviada à Fórmula 1, o governo local se manifestou brevemente e disse que o país “implementou proteções aos direitos humanos reconhecidas internacionalmente”.

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