Dia estranho da Fórmula E em Diriyah deixa protagonistas em pé de igualdade

A Mercedes parecia forte? Sim, mas perdeu a chance de criar gordura. Acabou que a rodada dupla em Diriyah permitiu aproximação de uma série de candidatos ao título e tornou difícil qualquer previsão a respeito de possíveis favoritos

O primeiro dia da temporada da Fórmula E terminou com sinais de favoritismo da Mercedes, via Nyck de Vries. O segundo, nem tanto: a corrida deste sábado (27) teve uma série de elementos que levou um resultado inicialmente improvável. Quem foi bem em um dia esteve destinado a ir mal no outro, e vice-versa. Dessa forma, não é exagero dizer: a categoria elétrica deixa Diriyah quase resetada antes da temporada europeia.

O leitor que viu a análise de 24 horas atrás lembra de um discurso a respeito da vantagem da Mercedes, principalmente enquanto rivais como Techeetah e Nissan correm com trens de força desatualizados. As duas já devem ter equipamento atualizado para o eP de Roma, próximo do calendário, e era importante aproveitar o momento. Se De Vries dominou num dia, dava para imaginar no mínimo um resultado bom no outro.

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Não é exagero falar em campeonato ainda sem favoritos (Foto: Fórmula E)

Eis que Edoardo Mortara, da cliente Venturi, bate após falha no sistema de freios. A direção de prova decide investigar a segurança dos carros e impede tanto Venturi quanto Mercedes de disputar a classificação. Largando do fim do grid, De Vries e Vandoorne nem pontuam. Olhe para a classificação do campeonato e veja: Nyck é líder ainda, mas com vantagem de 4 pontos, enquanto Stoffel é 16°. Muito menos do que dava para alcançar.

O cenário fica ainda mais preocupante quando vemos Jean-Éric Vergne e António Félix da Costa, que nem pontuaram no primeiro eP, já em sexto e oitavo na tabela, e esperando rendimento melhor com o novo trem de força. Aqueles que já competem com a versão definitiva do carro, como as duplas da Jaguar e da Virgin, somaram pontos suficientes para seguir de olho no líder De Vries.

É claro que alguns estão em posição melhor do que outros, mas o leque está bem aberto. Seria difícil imaginar um cenário assim se a Mercedes tivesse participado normalmente da classificação. Dificilmente venceria, já que se cairia no grupo 1 da classificação, mas teria chances claras de pontuar bem.

Não há vencedores claros no fim de semana saudita, mas há perdedores. Exemplo mais claro disso: a BMW, forte em Diriyah nos últimos dois anos, nem pontuou. Pensando em pilotos, Lucas Di Grassi e Sébastien Buemi ficam em desvantagem, tendo respectivamente 2 e 0 pontos. Os dois foram derrotados por companheiros bem menos badalados, René Rast e Oliver Rowland.

Sam Bird, Jaguar, Diriyah, Fórmula E
Sam Bird durante a vitória em Diriyah (Foto: Fórmula E)

Falar só de briga por título, entretanto, seria ignorar uma situação interessante que se desenha no pelotão médio. Dragon e NIO, duas equipes que nada fizeram temporada passada, empilharam respectivamente 14 e 5 pontos num fim de semana só. No caso da equipe americana, muito por conta de um trabalho digno de aplausos de Sérgio Sette Câmara: o brasileiro largou em segundo e, apesar de cair para sexto, finalmente apresentou seu cartão de visitas na categoria elétrica. A equipe chinesa, mesmo brilhando menos na comparação, vê uma luz no fim do túnel através do altamente subestimado Oliver Turvey.

Como alguém terá de ficar para trás, até nisso a Fórmula E fica imprevisível. A performance dos carros medianos ficou bastante equilibrada e o talento dos pilotos tem potencial de fazer mais diferença, algo análogo ao visto nos primeiros anos do campeonato, antes do desenvolvimento de trens de força entrar na equação.

É uma grande pena que a próxima corrida da categoria seja apenas em 10 de abril, quando o plano é visitar Roma, se a pandemia deixar. As perguntas em aberto nesse 2021 da FE são muitas e o fã mais empolgado não vai conseguir esperar por respostas.

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