Retrospectiva 2018: Suzuki reencontra rota na MotoGP, enquanto KTM surpreende no fim e Aprilia decepciona

Depois de 2017 bastante aquém do esperado, a Suzuki reencontrou o caminho na MotoGP e brilhou com Álex Rins e Andrea Iannone. A KTM, por sua vez, esperou a última prova do ano para surpreender com seu primeiro pódio, enquanto a Aprilia decepcionou mais uma vez

RETROSPECTIVA 2018
Rivais falham por razões diversas, e Márquez gruda no pódio para chegar ao penta

Depois de uma temporada decepcionante em 2017, a Suzuki conseguiu voltar aos trilhos na MotoGP. Superada a escolha errada de motor para a GSX-RR, o time nipônico voltou a se colocar entre os ponteiros, tendo momentos de destaque tanto com Álex Rins como com Andrea Iannone.

 
Tal qual vai acontecer em 2019, 2017 foi um ano de renovação para a Suzuki, que alinhou no grid com o então estreante Rins e com um Iannone que tinha quatro anos de experiência com motos Ducati. Num cenário como este e sem as concessões regulamentares, a marca de Hamamatsu passou o ano pagando por um erro cometido ainda na pré-temporada. 
 
Sem outras opções, a Suzuki trabalhou no que deu, mas precisou esperar a virada do ano para recolocar a GSX-RR nos eixos. Agora com o motor certo, o time comandado por Davide Brivio aproveitou os benefícios previstos em regulamento para avançar e teve um ano muitíssimo melhor em 2018.
Álex Rins (Foto: Divulgação/MotoGP)
Após fechar 2017 sem sequer um pódio, a Suzuki esteve no top-3 em nove oportunidades neste ano, cinco com Rins ― que foi três vezes segundo e duas terceiro ― e quatro com Iannone ― uma vez segundo e três terceiro. Assim, a pontuação no Mundial de Construtores mais do que dobrou, saltando dos cem pontos da temporada anterior para os 233 desta ― a disputa entre as fábricas leva em conta apenas o resultado obtido pelo melhor piloto de cada construtor.
 
Levando em conta os números do conjunto, a pontuação da Suzuki também mais do que dobrou no Mundial de Equipes, passando de 130 para 302 pontos.
 
A melhora do #42 foi um bocado mais significativa do que a de Andrea, também por ter sido uma presença constante em 2018, algo que não aconteceu em 2017, já que Álex perdeu cinco das 18 provas do ano. O espanhol estreou no pódio da MotoGP apenas neste ano e fez sua pontuação saltar de 59 para 169 pontos no segundo ano na classe rainha.
 
O #29, por sua vez, também melhorou a olhos vistos. Depois de uma estreia decepcionante com a Suzuki, Iannone somou seus primeiros pódios com a marca e levou sua pontuação de 70 para 133 pontos de um ano para o outro. Nada disso, porém, foi suficiente para salvar o emprego do italiano, que vai defender a Aprilia em 2019 após ser substituído por Joan Mir.
 
Sem Andrea, todavia, Rins passa a ter um papel chave na evolução da moto, já que Mir não tem experiência na elite do Mundial de Motovelocidade. Ainda assim, as duras penas de 2017 melhoraram o timing da Suzuki no quesito tomada de decisões e, assim, as falhas não devem se repetir desta vez.
 
Falando em Aprilia, por outro lado, a casa de Noale seguiu uma direção oposta, caindo de produção em relação a 2017. Com Aleix Espargaró e Scott Redding, os italianos somaram 59 pontos no Mundial de Construtores, cinco a menos do que tiveram na temporada passada, quando o catalão formava par com Sam Lowes. Na disputa entre equipes, foram três pontos a menos em 2018.
 
Com um orçamento um pouco mais discreto, a Aprilia não tem a mesma capacidade de desenvolvimento de algumas de suas rivais, especialmente na comparação com a KTM, com quem tem um confronto mais direto dada a experiência na categoria ― falando apenas do momento atual, claro ― e também do posicionamento na tabela. Mas não foi só isso que pesou.
Pol Espargaró deu à KTM o primeiro pódio na MotoGP (Foto: KTM)
Mais uma vez, Aleix carregou o time nas costas no que diz respeito à pontuação, sendo responsável por 68,75% dos pontos somados no Mundial de Equipes em 2018 ― essa média tinha sido de 92,5% no ano anterior ―, mas o irmão de Pol sofreu com a confiabilidade da moto, que quebrou três vezes em um intervalo de quatro corridas, por exemplo.
 
Decepcionado, Aleix conseguiu da Aprilia a promessa de mais dinheiro e mais pessoal para trabalhar no projeto da RS-GP. Contar com Iannone pode ser de grande ajuda, já que o italiano tem experiência com boas motos, mas tudo vai depender da capacidade da casa de Noale de produzir e evoluir um bom protótipo.
 
Caçula entre as fábricas, a KTM não só mostrou melhora em seu amontoado de pontos, mas também esperou a última prova do ano para fazer sua estreia no pódio. 
 
A marca austríaca fechou o ano com 72 pontos no Mundial de Construtores, três a mais do que no ano anterior, e 89 no Mundial de Equipes, cinco a mais que em 2017. Mas, desta vez, com um terceiro lugar em Valência para chamar de seu.
 
O resultado de Pol Espargaró no circuito Ricardo Tormo foi também fruto das circunstâncias, mas a KTM fez um bom fim de semana em Valência e fez por onde para estar no top-3. Ainda assim, não existe uma expectativa de que este seja o primeiro de uma sequência.
 
Claro, mais e mais pódios devem aparecer no futuro de uma fábrica de tanto renome, mas não de forma imediata. A KTM se reforçou para 2019 e tem em Dani Pedrosa seu maior ativo. Agora aposentado da MotoGP, o #26 topou assumir o papel de piloto de testes e, com todo o conhecimento que acumulou em sua vitoriosa carreira, pode ajudar os austríacos a acelerar a melhora da moto.
 
O espanhol, porém, não é a única novidade no time apoiado pela Red Bull. Johann Zarco fechou com a KTM ainda no início do ano ― antes, portanto, de ver uma vaga livre na Honda ―, mas levou um susto no primeiro contato com a moto. O #5 sabia, com certeza, que não ia encontrar uma moto vencedora pela frente, mas parece ter tomado um susto no primeiro encontro com o novo protótipo.
 
Entre as três fábricas menos laureadas do momento, a Suzuki é quem aparece mais forte para 2019, mas a expectativa é de evolução da KTM. A Aprilia, por sua vez, precisa ficar atenta se quiser sair da lanterna da MotoGP.
 

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