Da bola de fogo ao retorno às pistas, estreia de Grosjean na Indy é celebração da vida

Após três meses de um grave acidente, Romain Grosjean voltou a entrar em um carro de corrida. Sai a Fórmula 1 da carreira, entra a Indy. Mas a mudança de categoria é algo ínfimo perto da importância que deve ser dada à vida após o susto vivido no Bahrein em novembro passado

Todo piloto possui uma lista de datas importantes com as primeiras vezes na pista, no pódio, no primeiro lugar. O dia 23 de fevereiro vai, com certeza, entrar no seleto ranking de Romain Grosjean. Três meses depois do impressionante acidente que quase tirou sua vida no GP do Bahrein, o francês voltou a entrar em um cockpit e acelerou o carro da Dale Coyne em Barber. Para chegar a este ponto, no entanto, o veterano passou por muitos momentos.

O acidente na primeira volta do GP do Bahrein, após toque com Daniil Kvyat assustou todos que acompanhavam a prova. Ao bater no guard-rail do circuito barenita, o carro de Grosjean se dividiu em duas partes e causou uma enorme explosão. O impacto foi de 53G.

Grosjean ficou 28s sob o fogo, mas conseguiu escapar após diversas tentativas. Com ajuda dos fiscais, foi colocado na ambulância com dificuldades para andar por queimaduras em um dos tornozelos. As duas mãos também foram muito atingidas pelas chamas.

O impacto da batida de Grosjean foi de 53G e fez o carro explodir (Foto: AFP)

Salvo pelo halo, o francês ficou fora das duas últimas corridas da temporada, que marcaria a despedida da Fórmula 1 e da Haas. Com isso, não conseguiu utilizar o capacete especial desenhado pelos filhos e viu Pietro Fittipaldi ocupar sua vaga. Naquele momento, porém, celebrar a vida parecia mais importante para Grosjean.

O acidente fez a Fórmula 1 estudar o impacto para entender como o carro se dividiu em duas partes. A FIA implementou uma barreira de pneus na saída da curva 3 de Sakhir. Tudo para evitar novos sustos. Enquanto isso, o piloto de 34 anos seguia a recuperação no hospital e mostrava as mãos enfaixadas.

Dias depois da pancada, o francês admitia que poderia tirar um ano sabático do automobilismo em 2021. A esposa e os filhos sempre foram mencionados nas entrevistas, como um porto seguro do piloto que ainda parecia não acreditar como tinha driblado o fogo e a morte no Bahrein. A família também foi quem discutiu com ele sobre uma possível ida à Indy quando os rumores surgiram. O medo de um novo acidente, especialmente nos velozes ovais americanos, fizeram a novela se arrastar por semanas.

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Romain Grosjean em ação pela primeira vez na Indy (Foto: IndyCar)

Aliás, por falar em semanas, Grosjean demorou seis para tirar os curativos das mãos, ainda com queimaduras. Foram 44 dias vivendo com ataduras nas mãos para cobrir as marca do que viveu em Sakhir.

No dia 3 de fevereiro, enfim, o anúncio. Depois de alguns flertes, finalmente Grosjean foi confirmado como piloto da Dale Coyne em parceria com a Rick Ware Racing para a temporada 2021 da Indy. O carro #51 será guiado pelo francês apenas nos circuitos mistos e de rua, enquanto nos ovais ainda está indefinido quem vai pilotar. O acidente no Bahrein novamente teve peso para essa decisão.

Grosjean entra em carro da Dale Coyne/Rick Ware para primeiro teste na categoria (Foto: IndyCar)
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E assim chegamos no dia 23 de fevereiro, quando Grosjean reescreve sua história na longa carreira que possui. Com 34 anos, e sem limitações nas mãos, segundo ele mesmo, entrou pela primeira vez em um carro nesta terça-feira.

Ainda que um erro marque seu retorno às pistas, quando rodou e acertou a proteção de pneus, o fato de ter voltado a acelerar deve ser celebrado por todos que viram o que aconteceu meses atrás na Fórmula 1.

Para o piloto, é uma chance de escrever um novo capítulo na carreira, agora em outra categoria, com oportunidades maiores. Mas nada será tão importante quanto celebrar cada segundo da vida após a bola de fogo, nenhuma vitória será tão importante sem a família ao lado. E isso Grosjean vai poder experimentar, o automobilismo não tirou isso dele.

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