VR46 diz que deu liberdade para Bezzecchi escolher ficar: “Considere contrato rasgado”
Diretor da VR46, Alessio Salucci contou que, por contrato, poderia ter renovado o vínculo do italiano sem deixá-lo decidir sobre a oferta para mudar para a Pramac. ‘Uccio’, porém, optou por rasgar o contrato e deixar o piloto decidir sozinho
A VR46 não forçou a mão para manter Marco Bezzecchi na temporada 2024 da MotoGP. Diretor da equipe, Alessio Salucci contou que, por contrato, a equipe tinha o direito de renovar o vínculo e evitar a ameaça da Pramac, mas optou por dar liberdade para que o italiano fizesse “fizesse uma escolha de coração”.
Graças à boa performance exibida na temporada 2023, Bezzecchi teve a oportunidade de migrar para a Pramac para ter a GP24 na temporada 2024, mas, em agosto, anunciou a renovação com a VR46, aceitando o ônus de permanecer com a GP23, a moto que foi campeã com Francesco Bagnaia.
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No comando da equipe de Valentino Rossi, Uccio afirmou que sequer se esforçou para garantir a permanência de Bezzecchi, já que queria que o piloto fizesse uma escolha pessoal.
“Estou muito orgulhoso e feliz com a escolha de Marco”, disse Uccio em entrevista ao site italiano Motorsport durante o ‘Campioni in Festa’, evento em que a Ducati celebrou os resultados da temporada. “Sinceramente, não me esforcei muito para que ele ficasse, pois queria que fosse uma escolha dele e não uma imposição da nossa parte”, justificou.

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“Não podemos esquecer que tínhamos essa opção. Se quiséssemos assinar, ele teria sido forçado a ficar conosco por mais um ano, mas preferimos fazer as coisas de forma diferente”, revelou. “Quando nos encontramos para conversar, eu disse a ele: ‘Considere que o contrato de renovação a nosso favor está rasgado. Vou rasgá-lo na sua frente. Finja que não existe’”, detalhou.
Uccio explicou que queria que Bezzecchi fizesse uma “escolha com coração” e ouviu do piloto que a equipe faz mais diferença do que a moto.
“Isso aconteceu mais ou menos no período entre Áustria e Barcelona. Naquele momento da temporada, mais ou menos. Eu disse a ele para não se deixar influenciar por isso e que fizesse uma escolha de coração, com o que estava sentindo naquele momento. E ele me disse: ‘É mais o grupo criado nesses últimos anos que faz a diferença do que a diferença entre a minha moto e a oficial’”, recordou. “Também disse a ele que ficaria feliz se ele escolhesse a Ducati oficial. Aí dei a ele um contrato de um ano, sem 1+1 a nosso favor. Não queria me ver de novo em uma situação em que, depois de alguns GPs, teria de voltar a negociar e discutir uma possível renovação. Preferi seguir esse caminho por nós dois. Está conosco por um só ano. Não parecia certo seguirmos forçando nesse sentido”, ponderou.
Logo após a renovação, porém, Bezzecchi sofreu um acidente no Rancho Motor e fraturou a clavícula. Mesmo assim, voltou à MotoGP após apenas cinco dias.
“Eu conversei com o Dr. Porcellini enquanto estava no avião e perguntei o que ele achava do retorno imediato de Marco. Perguntei se éramos loucos ou não, pois nunca gostei das coisas feitas mais ou menos. Ele me disse que não estaríamos arriscando nada. Estava tudo nas mãos do piloto. O único problema poderia ser o calor, pois poderia criar infecções na cicatriz”, contou. “Felizmente, temos um importante staff médico na pista. Esterilizamos uma sala só para Marco, para tratarmos frequentemente a ferida e fazer o que o Dr. Porcellini nos pediu. Marco disse que queria correr. Aí decidimos fazer uma volta de cada vez e ver como as coisas aconteciam. Não tivemos nenhuma restrição. Ele se sentiu imediatamente bem com a moto, a lesão não doeu e isso o fez voltar imediatamente. Aí ficou claro que pagamos por essa escolha nas corridas seguintes, na Tailândia e na Malásia. Mas voltar a pista e imediatamente subir no pódio na sprint na Indonésia foi muito bom”, comentou.
O dirigente avaliou, porém, que a lesão veio em um “momento-chave” e, do contrário, Bezzecchi poderia ter sido mais ameaçador na briga pelo título. O #72 fechou o ano com o terceiro posto, 99 pontos atrás do campeão Bagnaia.
“Em minha opinião, Marco se machucou em um momento-chave da temporada. Em todos os esportes, existe um momento-chave na temporada. Estávamos vindo de um momento extremamente positivo. Na Índia, conseguimos uma vitória esmagadora. Estávamos fortes e foi um momento difícil”, assumiu. “Brigar pelo campeonato? Não sei. Talvez não. Mas continuaríamos protagonistas pelo menos até a corrida anterior a Valência. Tenho certeza que teríamos conseguido permanecer no jogo até aquele momento. Mas vencer o título, não”, continuou.
“Temos de dar passos à frente. Não estamos prontos como equipe. Temos de melhorar”, admitiu. “E Marco também não estava pronto. Ele não estava pronto em 2023, mas, para mim, agora está. Ele só precisava de um pouco mais de consistência e está conseguindo”, concluiu.
A MotoGP volta a acelerar entre 6 e 8 de fevereiro de 2024, com os testes de pré-temporada na Malásia, no circuito de Sepang. O GRANDE PRÊMIO faz a cobertura completa do evento, assim como das outras classes do Mundial de Motovelocidade durante todo o ano.
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