Retrospectiva 2023: Sprint assusta na estreia, mas conquista mesmo com resistência

Nem todos os pilotos se renderam ao encanto das corridas sprint, mas a novidade da temporada 2023 se mostrou um acerto da Dorna, a promotora do Mundial de Motovelocidade. Apesar do susto inicial, as provas curtas promoveram disputas divertidas e até vencedores inesperados

É preciso dar o braço a torcer: a Dorna acertou com as corridas sprint na MotoGP. Apesar do anúncio destrambelhado e do cartão de visitas assustador, as provas curtas entregaram entretenimento e cumpriram a missão de impactar positivamente na audiência do campeonato.

Mas a primeira imagem das sprint foi ruim. Em agosto de 2022, a promotora espanhola aproveitou a passagem pela Áustria para revelar a maior mudança de formato da história. Só que o anúncio pegou os pilotos de surpresa, que logo torceram o nariz para a novidade. A coletiva de imprensa, que contou com Carmelo Ezpeleta, diretor-executivo da Dorna, Hervé Poncharal, presidente da IRTA (Associação Internacional das Equipes de Corrida) e Jorge Viegas, presidente da FIM (Federação Internacional de Motociclismo), deixou um ar de irritação, de coisa feita de supetão e de imposição aos participantes.

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Para piorar, a estreia do formato foi assustadora. Com a adoção das corridas curtas, a MotoGP passou a contar os dois primeiros treinos do fim de semana para dividir os pilotos entre Q1 e Q2. Assim, todo mundo entrava na pista forçando o ritmo logo de cara. E deu ruim. Muito ruim.

No primeiro dia da temporada, Pol Espargaró sofreu um acidente horroroso no segundo treino: o catalão colidiu com muro e foi diagnosticado com uma série de lesões que o tiraram de combate por praticamente metade do campeonato.

Corridas sprint se mostraram positivas na MotoGP (Foto: Repsol)

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Mas não parou por aí. No total, o primeiro fim de semana do ano viu cinco pilotos lesionados. A sprint foi diretamente culpada pelo primeiro revés de uma temporada para lá de tumultuada de Enea Bastianini. Derrubado por Luca Marini na corrida de sábado, o piloto da Ducati fraturou a escápula e amargou uma longa estadia no departamento médico.

No dia seguinte, foi Marc Márquez quem se machucou depois de um toque com Jorge Martín: o dono da Honda #93 sofreu uma fratura na mão direita. Miguel Oliveira, que foi coletado no acidente, também se feriu.

Depois do susto inicial, os pilotos entenderam que era preciso encarar as sprint com mais calma. Controlados, as coisas entraram nos eixos, mas seguiu a reclamação pela pressão desde o primeiro treino.

A MotoGP, então, respondeu. Após superar um entrave com a Ducati, o campeonato voltou atrás e devolveu o status de ‘livre’ ao primeiro treino de sexta-feira, deixando só a sessão da tarde para dividir os grupos da classificação.

Com o formato mais acertado, as sprint puderam, enfim, mostrar algum charme. Mais curtas, as provas possibilitam estratégias diferentes e até protagonistas variados. Conhecido como piloto de domingo, Brad Binder surpreendeu ao mostrar que pode ser competitivo também em tiro curto e venceu duas vezes — Argentina e Espanha.

Mas o sul-africano não foi o único a levar a medalha de ouro. Marco Bezzecchi (1), Álex Márquez (2) e Aleix Espargaró (1) também brilharam, assim como o campeão de 2023. Francesco Bagnaia triunfou em cinco oportunidades. Mas ninguém aproveitou melhor as sprint do que Martín.

O espanhol da Pramac levou a melhor em nove ocasiões e somou nas provas curtas mais de 39% dos pontos que acumulou ao longo do ano. Se o campeonato fosse feito só de sprints, Jorge teria sido campeão. E com 28 pontos a mais do que Pecco.

Mas o objetivo da Dorna era aumentar a audiência das corridas, não só nos autódromos, mas também pela TV. Em números divulgados em outubro passado, a MotoGP celebrou um aumento médio de 20% de audiência em relação a 2022. Aos sábados, a audiência mais do que dobrou, registrando uma alta de 51%.

É verdade que nem todo mundo foi seduzido pelas sprint — Fabio Quartararo, por exemplo, não gosta. Afinal, só 11% dos pontos que conquistou no ano vieram de sábado —, mas é fato: as disputas foram boas e o resultado na audiência é inegável.

MotoGP volta a acelerar entre 6 e 8 de fevereiro de 2024, com os testes de pré-temporada na Malásia, no circuito de Sepang. O GRANDE PRÊMIO faz a cobertura completa do evento, assim como das outras classes do Mundial de Motovelocidade durante todo o ano.

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