Flexões no hospital e teste físico exigente: como Marc Márquez tentou correr em Jerez?

Mesmo operado da fratura no úmero direito, o hexacampeão da MotoGP entrou na pista no sábado (25) para tentar disputar o GP da Andaluzia e precisou comprovar sua capacidade física para montar na RC213V

Marc Márquez é um valente. Apesar de ter desistido da tentativa de disputar o GP da Andaluzia apenas uma semana após fraturar o braço direito em um acidente em Jerez de la Frontera, o piloto da Honda se submeteu uma legítima epopeia para voltar à RC213V.

No último dia 19, Marc caiu na saída da curva 3 do traçado andaluz e foi atingido no braço pelo pneu dianteiro da própria moto. Com o impacto, teve fratura completa do úmero e seguiu para Barcelona, onde foi operado pelo Dr. Xavier Mir na terça-feira. Na quinta, Marc já estava de volta ao circuito em busca de uma liberação para correr.

Como acontece sempre que um piloto se machuca, o mais velho dos Márquez sabia que teria de passar por um teste físico conduzido pelo corpo médico da MotoGP para comprovar que poderia dar conta do protótipo de quase 160 kg. E, assim, começou a se preparar na terça-feira, ainda no hospital, fazendo flexões.

Marc Márquez provou sensação na moto já na quarta-feira (Foto: Reprodução)

Antes de ir para Jerez, Marc também vestiu o macacão e subiu em uma de suas motos para avaliar se conseguiria executar os movimentos necessários com o braço recém-operado.

Uma vez no traçado, o #93 não teve facilidades nas mãos do Dr. Ángel Charte, diretor-médico da MotoGP: o espanhol precisou fazer 20 flexões no chão e outras 20 na parede para comprovar sua condição. Mas foi considerado apto.

“Na segunda-feira, eu teria dito que era impossível correr em Jerez, mas aí, na terça, o Dr. Mir fez um bom trabalho e, na quarta, eu consegui fazer algumas flexões e estar na minha cidade em Cervera para colocar o macacão e subir na moto”, contou Marc. “Aí eu vi que era possível. Comecei a falar com a Honda e o time. Eles queriam me poupar, mas fizemos um acordo de que eu tentaria no sábado e seria realmente honesto. Foi o que eu fiz”, seguiu.

“Na quinta, o exame médico foi realmente duro. Acabei de agradecer ao Dr. Charte, porque ele me forçou muito com as flexões e tudo mais. A força estava lá e o músculo estava trabalhando bem”, contou.

Como já tinha corrido em Jerez na semana passada, Márquez ficou de fora das atividades de sexta-feira, mas entrou na pista na manhã de sábado e fechou o TL3 na 19ª colocação. O competidor voltou à ativa no quarto treino mas, na classificação, apenas deu uma volta no Q1 e, mesmo sem tempo, voltou aos boxes. Pouco depois, a Honda anunciou que o piloto não voltaria à pista e, ao fim do treino, confirmou que Marc estava se retirando do GP.

“De manhã, eu me senti realmente bem e consegui andar em 37min7s com pneus usados, basicamente o mesmo da semana passada. Mas de tarde, quando comecei a me sentir realmente bem e pilotar da mesma forma, voltei aos boxes e, quando recomecei, algo tinha mudado”, contou. “Foi tipo a inflamação ou ago assim. Aí o braço ficou um pouco maior e talvez eu tenha pressionado algum nervo. Estava perdendo força na segunda saída em algumas curvas em que não esperava. Naquele ponto, você precisa ser honesto com seu corpo e entender a situação. E foi o que eu fiz”, relatou.

“Parei nos boxes, disse imediatamente ao time o que estava acontecendo e falei que iria sair para o Q1 e que, se na primeira volta voltasse a sentir a mesma coisa ou algo parecido, desistiria. Foi o que eu fiz”, completou.

Marc Márquez precisou fazer 40 flexões no exame médico da MotoGP (Foto: Reprodução)

Márquez contou que sentiu dor de verdade quando abandonou o fim de semana, mas defendeu a tentativa de retorno precoce.

“A mente faz muita coisa. Quando disse a mim mesmo que não podia continuar, a dor multiplicou por 2 ou 3. Mas a mente também conhece o corpo muito bem, sabe os limites do sofrimento e até onde você pode ir”, ponderou. “O corpo também tem nervos, e eu já passei por isso na pré-temporada. Quando você pode mentalmente, mas fisicamente, não ― você pode se colocar em perigo ―, então é aí que precisa saber a hora de parar. Mantive isso comigo e segui sendo realista. Se não acreditasse que era possível pilotar, teria ficado em casa, com ar condicionado e fisioterapia ao invés de complicar a minha vida. Então isso não é o que eu esperava, mas quero agradecer aos médicos, ao time e aos fisioterapeutas, porque eles me deram uma chance de seguir a minha paixão e os meus instintos. Vou dormir bem, pois eu tentei e não foi possível. Brno será outra corrida”, encerrou.

Honda reconheceu empenho de Marc Márquez em tentar correr em Jerez

Chefe da Honda, Alberto Puig exaltou a iniciativa de Marc de ao menos tentar alinhar na segunda etapa da MotoGP. “Marc já sabe que é uma pessoa muito forte, queria tentar, nós o apoiamos e foi o certo. Um campeão não pode ficar em casa se acha que tem uma pequena possibilidade. Agora o braço está inflamado e doendo, mas isso vai passar. Ainda restam muitas corridas pela frente”, garantiu o dirigente espanhol.

Aleix Espargaró defende procedimento médico do Mundial

A rapidez com que Marc foi liberado para voltar às pistas levantou questionamentos sobre a retidão do procedimento médico da MotoGP, algo que foi rebatido prontamente por Aleix Espargaró, que também citou a fratura no ombro de Álex Rins e a de escafoide de Cal Crutchlow.

“O lado bom é que nos últimos três, quatro ou talvez cinco anos, nós melhoramos muito a parte médica do campeonato. Temos médicos muito bons, testes muito bons. Então eu acredito que o teste pelo qual precisamos passar depois de uma lesão é bom o bastante para pilotar, pois Charte e Mir são médicos inacreditavelmente bons”, elogiou. “Então se eles nos deixam pilotar, isso significa que somos capazes de pilotar a moto da MotoGP”, considerou.

“Lembro na temporada passada, quando tive uma queda feia em Barcelona com Bradley [Smith], meu joelho estava… eu não podia nem andar, mas subi na moto em Assen e sofri muito na corrida. Mas eu estava lá. Marc vai tentar este fim de semana, junto com Rins e Cal, mas acredito que o exame médico é o bastante para eles e também para o restante dos pilotos estarem seguros”, opinou.

Na visão do piloto da Aprilia, a paixão pelo esporte explica o empenho do hexacampeão em tentar voltar antes da hora.

“Isso é só um exemplo de como os pilotos são, do quanto amamos este esporte. Não é só um trabalho, é também a nossa paixão. Então, com certeza, todo mundo no grid tentaria tanto quanto Marc”, disse Aleix. “Marc está muito bem fisicamente, treina muito os músculos. Então pode compensar um pouco. Álex Rins vai tentar, Cal [Crutchlow] também ― a lesão do Cal foi muito dura, pois usamos muito [o punho], então para ele também será um fim de semana exigente”, ponderou.

“Acho que este esporte é inacreditável e esse é só mais um exemplo”, sublinhou.

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