Vale tudo no amor e na guerra? Tática de Marc Márquez causa polêmica na Itália

O hexacampeão perturbou Maverick Viñales na classificação do GP da Itália e dividiu opiniões. Vale tudo por uma volta rápida na MotoGP?

MotoGP preparou vídeo com imagens da carreira em tributo a Jason Dupasquier (Vídeo: MotoGP)

A pergunta é famosa, mas a resposta nem é lá tão difícil. Não, não vale tudo no amor e na guerra. E tal qual a vida, o esporte também tem um código de conduta, mesmo que a letra da lei muitas vezes dê margem à interpretação.

No GP da Itália de MotoGP, Marc Márquez esteve no centro de uma polêmica. Durante a classificação em Mugello, o hexacampeão decidiu que precisava de uma ajuda extra para conseguir avançar ao Q2, a fase final da classificação, fez de Maverick Viñales o alvo preferencial.

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Maverick Viñales fez de tudo para se livrar da sombra de Marc Márquez (Vídeo: MotoGP)

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A escolha pelo Top Gun era óbvia. O espanhol era um dos mais rápidos entre os pilotos daquela sessão e, assim, o homem certo a ser seguido. E Marc sequer fez questão de disfarçar. O hexacampeão entrou na pista primeiro, mas logo deu um jeito de passar para trás de Maverick, aproveitando que Takaaki Nakagami atrapalhou o rival da Yamaha.

Na primeira volta o Q1, Marc se colocou em terceiro, com Viñales aparecendo só em quinto. Mas foi depois do pit-stop que a situação ficou ainda mais descarada. O mais velho dos irmãos de Cervera ficou montado na RC213V na porta dos boxes da Honda, esperando pela saída do pai da recém-nascida Nina.

Sem nenhuma surpresa, Marc desceu o pit-lane colado atrás de Maverick, que logo notou a presença não só do rival, mas de um verdadeiro bonde, já que Iker Lecuona, Valentino Rossi e Lorenzo Savadori também vinham enfileirados atrás.

Viñales logo se ligou no plano maléfico da concorrência e decidiu passar pelo pit-lane. Só que Marc foi junto, causando a ira do adversário. O irmão de Álex, então, tomou a frente e voltou para a pista primeiro, mas logo passou para trás da YZR-M1 #12 outra vez.

Mesmo sob protestos de Viñales, que sequer podia reduzir o ritmo ou ele próprio seria eliminado na primeira fase da classificação, o titular da Honda conseguiu cravar 1min45s924, 0s121 melhor que o conterrâneo, que ficou com a segunda melhor marca e tempo para mais uma volta.

Só que o piloto da Yamaha errou no giro final, foi superado e eliminado ainda na primeira etapa da classificação, o que lhe rendeu o 13º post no grid. Marc, por sua vez, largou em 11º, sem conseguir baixar de 1min46s no Q2.

A situação provocou a ira da Yamaha, que atacou a atuação de Marc.

“Parece que Marc Márquez está melhorando mais e mais porque ele começa a se comportar como fazia. E ele realmente fez algo que realmente não deveria”, disse Massimo Meregalli, chefe da Yamaha. “Espero que a direção de prova decida algo porque, para mim, o comportamento não foi justo”, disparou.

Maverick não quis falar muito do assunto, mas Márquez assumiu que ele próprio não gosta de usar esse recurso, ainda que não tenha feito nada contra o regulamento da MotoGP, e se desculpou.

“Me encontrei com o Maverick. Quando entrei na sala onde estão as televisões e ele [Viñales] estava saindo. Eu disse: ‘Te entendo, desculpa, sei como se sente porque já passei por isso, mas era a única maneira de fazer algo’”, contou Márquez. “Queria estar em outra situação agora mesmo, de andar na frente e que fosse seguido. Eu sabia que tinha limitações, que a única maneira de ir um pouco mais longe era seguindo outro piloto. Vi a lista antes de sair para a classificação e o piloto mais rápido ali era o Viñales. O escolhi para segui-lo, mas poderia ser outro nome”, justificou.

É claro que ver alguém com o gabarito de Marc Márquez em uma situação como esta é estranha. Ninguém está acostumado a vê-lo nesta posição. No entanto, dá para entender a motivação do piloto de Cervera.

Desde que voltou às pistas após fraturar o braço direito, passar por três cirurgias e ficar nove meses afastado da MotoGP, Marc ainda não recuperou a forma e não é o mesmo de antes. O piloto da Honda foi para Mugello sabendo que ia sofrer e tratou de usar o recurso que achou que melhor o beneficiaria.

Usar o vácuo dos outros não é nada incomum no Mundial de Motovelocidade. Acontece com frequência na Moto3, onde as punições são rotineiras, mas também acontecem, mesmo em menor grau na MotoGP. Até aí, nada de muito surpreendente. Rodar na sombra de outro piloto permite que quem vem atrás seja mais rápido.

No caso de Márquez, soma-se a isso a questão física. Seguir alguém exige menos do corpo, daí a necessidade dele de estar atrás do colega da Yamaha.

Embora não contrarie a regra, o comportamento de Márquez não é o auge do fair-play. Daí o estranhamento e o incômodo de todo mundo. Até dele próprio.

Compreensível? É. Especialmente se levarmos em conta todo o contexto da situação física do piloto de 28 anos. Só não é bonito. E, assim como não vale tudo no amor e na guerra, também não vale tudo no esporte.

A MotoGP volta às pistas no próximo dia 6 de junho para o GP da Catalunha. Acompanhe a cobertura do GRANDE PRÊMIO sobre o Mundial de Motovelocidade.

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