Quartararo agarra chance de pole em dia de Ducati forte e caos da Honda na Indonésia

Depois de amargar um fim de semana ruim no GP do Catar, o francês de Nice não deixou passar a oportunidade de cravar a pole-position em Mandalika. Em um sábado de muitas quedas, o campeão vigente conseguiu fazer frente ao poderio das Ducati e ainda viu a Honda viver uma tarde caótica neste sábado (19)

MOTOGP DÁ BOLA FORA COM DOCUMENTÁRIO FANTASMA

Fabio Quartararo agarrou com unhas e dentes a chance de encerrar um jejum de mais de nove meses sem pole na MotoGP. Longe da ponta do grid desde o GP da Catalunha do ano passado, o campeão vigente aproveitou a performance ajeitadinha da Yamaha na Indonésia, os muitos tombos destes sábado (19) e o dia caótico da Honda para assegurar a primeira pole-position da classe rainha no estreante circuito da ilha de Lombok.

O caminho até esta primeira posição começou a ser trilhado ainda na sexta-feira, quando as Honda de Pol Espargaró e Marc Márquez não conseguiram lugar no top-10 combinado por causa de um problema com o disco de freio dianteiro e uma queda, respectivamente. Os dois, então, dependiam fortemente do treino desta manhã, mas a chuva não jogou a favor da marca asiática.

ANÁLISE
MotoGP peca na distribuição e transforma ‘MotoGP Unlimited’ em série limitada

Fabio Quartararo conquistou a pole na Indonésia (Foto: Yamaha)

LEIA TAMBÉM
Quem é a primeira mulher a chefiar equipe vencedora na MotoGP?

Obrigados a passar pelo Q1, Pol e Marc tiveram de arriscar. E deu errado para os dois. No caso do mais velho dos irmãos Márquez mais ainda, já que ele levou dois tombos no intervalo de cinco minutos.

Sem as melhoradas RC213V na fase final da classificação, a grande adversária seria a Ducati. E não faltavam candidatos: Jorge Martín, Johann Zarco, Enea Bastianini, Francesco Bagnaia, Jack Miller e Fabio Di Giannantonio estavam todos lá. Seis das oito Desmosedici do grid. A única exceção foi mesmo a dupla da VR46: Luca Marini vai sair em 13º e Marco Bezzecchi em 14º.

Mas Fabio não teve dificuldades para se impor. Em uma pista onde a reta mais longa tem pouco mais de 500 metros e o nível de aderência é alto, a YZR-M1 consegue atuar em alto nível e nem mesmo o Speed Trap fica assim tão discrepante. No Catar, Quartararo foi 13,1 km/h mais lento que a Ducati mais veloz na classificação, enquanto que em Mandalika essa diferença cai para 6,2 km/h.

Quem também poderia atrapalhar ‘El Diablo’ nesta tarde era Franco Morbidelli, que mostrou competitividade ao longo dos treinos, mas um tombo ainda no início do Q2 acabou tirando o ítalo-brasileiro da jogada.

Depois da decepção do GP do Catar, Quartararo vai alinhar no grid indonésio em um cenário completamente diferente. Além da pole, o francês mostrou o melhor ritmo ao longo dos treinos e favorito à vitória no GP da Indonésia.

“Fazia tempo que eu não me sentia tão bem. Mais do que pela pole, estou contente, pois no TL4 fizemos muitas voltas seguidas com muito ritmo. Sabia que se não cometesse erros no Q2, poderia estar na primeira fila. Fomos avançando com o pneu e estou muito contente com essas 14 ou 15 voltas no TL4. Tive sensações muito boas e espero que tudo funcione muito bem amanhã. Me sinto muito bem e preparado para a corrida”, celebrou Fabio.

0s213 mais lento que o piloto da moto #20, Jorge Martín ficou com o segundo posto na grelha e comemorou a segunda posição, especialmente por considerar que é muito difícil ultrapassar na pista de Lombok.

“Sempre é importante largar na frente, mas nesta pista é muito difícil ultrapassar. Para ultrapassar, você precisa arriscar muito”, comentou Jorge. “Espero fazer uma boa largada. Estivemos trabalhando e estou um pouquinho mais confortável do que no Catar”, contou.

“Estou mais contente, pois o ritmo é melhor. Fui mais consistente e podemos fazer um resultado melhor do que no Catar”, garantiu.

Martín acredita, porém, que será difícil ver uma corrida de grupo em Mandalika, já que o forte calor indonésio dificulta que as motos fiquem todas juntas.

“Vai ser difícil ver um grupo, pois faz muito calor. É difícil seguir outro piloto com essa temperatura”, indicou. “Tem quatro ou cinco com ritmo muito bom. Espero estar na frente deles. Estando na frente, vou tentar fazer uma boa largada, pois estando atrás, tudo esquenta e é difícil para a condição física e para as condições do motor e das rodas. Espero estar ali com Fabio, tive um ritmo muito bom. Acho que estou muito próximo, então vamos brigar para ganhar”, completou.

Terceiro no grid da Indonésia, Johann Zarco destacou que parte da boa performance da Ducati na Indonésia pode ser creditada à construção de pneu levada pela Michelin para esta segunda etapa do campeonato, que não era usada desde 2019, mas funciona melhor para Ducati e Yamaha, enquanto deixa insatisfeitos os pilotos da Honda e Joan Mir, por exemplo.

A mudança foi resultado da preocupação da resistência dos calçados ante ao forte calor em Mandalika.

“Eu achava que teria mais problemas, mas o pneu traseiro com essa outra carcaça foi melhor para nós do que para as outras fábricas. Isso nos ajudou a melhorar. Pecco funcionou de uma maneira no Q1 e foi outra coisa no Q2”, explicou. “De qualquer forma, o novo asfalto nos dá boa aderência e isso nos permite usar bem a moto. Este pneu faz com que a Ducati perca menos que o resto”, explicou.

Assim como o companheiro de Pramac, Zarco acha difícil que o GP da Indonésia seja uma corrida de grupo.

“Vai ser difícil uma corrida com muitos pilotos”, opinou. “Se conseguirmos manter as primeiras posições, então teremos a melhor corrida possível. Tudo depende do ritmo e da escolha de pneus”, encerrou.

Líder da pré-temporada na Indonésia, Pol Espargaró disparou contra a Michelin e culpou a fabricante francesa pela falta de performance da moto.

“A Honda trabalhou muito durante o inverno para fazer uma moto nova que solucionasse os problemas que tínhamos nos passado. Fizeram uma moto muita rápida, como ficou claro nos testes daqui e do Catar. Mas aqui temos umas rodas de quatro anos e isso não combina muito com a situação atual”, observou. “Vimos a Ducati sofrer muito nos testes, mas agora elas voam. Não é justo. Entendo que os problemas precisam ser solucionados de outra maneira. Para nós, a situação é muito mais complicada do que nos testes do mês passado. A moto não tem aderência atrás, isso faz com que a gente aplique muita pressão na dianteira, o que destrói o pneu dianteiro”, detalhou.

“Essa carcaça solucionou o problema de uns, mas gerou em outros. Entendo que houve problemas no teste e que a Michelin estivesse preocupada. Mas ela também não pode trazer carcaças novas sem saber como elas vão funcionar. A Michelin arruinou uma moto que não foi feita para os pneus de 2018”, afirmou.

GUIA DA MOTOGP 2022
MotoGP abre era pós-Rossi com menu extenso e pratos para lamber os beiços
MotoGP mantém estabilidade e só tem mudanças pontuais no regulamento
Acosta chega forte, mas Moto2 é livro aberto na busca por protagonista
Volta de Carrasco e estreia de Moreira deixam olhos atentos à Moto3
Aprilia dá novo passo e mira protagonismo de novo status na MotoGP
Yamaha ainda sofre com motor, mas busca evolução na MotoGP
Aprilia dá novo passo e mira protagonismo de novo status na MotoGP
Quartararo sai da glória de campeão para a luta de se manter no topo
Sem ícone máximo, MotoGP tem de descobrir novo mundo em era pós-Rossi
Ducati cria casca e entra na temporada 2022 com pressão do favoritismo
KTM chega cercada de incertezas após tropeços e decepções na MotoGP
Bagnaia ganha Ducati e vira bola da vez na MotoGP mesmo derrotado em 2021
De campeão a surpresa, novatos invadem MotoGP com diferentes expectativas
Suzuki atende pilotos e surge vitaminada com melhora na moto e novo chefe
Honda torce por Marc Márquez inteiro para voltar do ostracismo em 2022
Marc Márquez chega a 2022 para recuperar forma e retomar domínio

▶️ Inscreva-se nos dois canais do GRANDE PRÊMIO no YouTube: GP | GP2

BASTIANINI OFERECE ALENTO À DUCATI EM CATAR DESASTROSO NA MOTOGP
Acesse as versões em espanhol e português-PT do GRANDE PRÊMIO, além dos parceiros Nosso Palestra e Teleguiado.

GOSTA DO CONTEÚDO DO GRANDE PRÊMIO?

Você que acompanha nosso trabalho sabe que temos uma equipe grande que produz conteúdo diário e pensa em inovações constantemente. Mesmo durante os tempos de pandemia, nossa preocupação era levar a você atrações novas. Foi assim que criamos uma série de programas em vídeo, ao vivo e inéditos, para se juntar a notícias em primeira-mão, reportagens especiais, seções exclusivas, análises e comentários de especialistas.

Nosso jornalismo sempre foi independente. E precisamos do seu apoio para seguirmos em frente e oferecer o que temos de melhor: nossa credibilidade e qualidade. Seja qual o valor, tenha certeza: é muito importante. Nós retribuímos com benefícios e experiências exclusivas.

Assim, faça parte do GP: você pode apoiar sendo assinante ou tornar-se membro da GPTV, nosso canal no YouTube

Saiba como ajudar