GUIA 2022: Magnussen e Albon retornam, e Zhou é único estreante da F1

Novidades em 2022 — mas algumas nem tão 'novas', é verdade. Kevin Magnussen e Alex Albon ganham segunda chance na Fórmula 1, enquanto Guanyu Zhou tem o crachá mais novo já que é o único estreante em 2022

A dança das cadeiras na Fórmula 1 2022 foi mais contida, mas não significa que mexeu pouco no grid. George Russell enfim foi para a Mercedes, enquanto Valtteri Bottas aceitou o desafio na Alfa Romeo. Já Nikita Mazepin — bem como a Uralkali, até então maior patrocinadora da equipe americana — deixou a Haas após o conflito entre Rússia e Ucrânia e, claro, as sanções aplicadas a atletas russos. Agora, três pilotos estreiam (ou estão de volta) na F1: Alexander Albon e Kevin Magnussen, que retornam à categoria, e Guanyu Zhou, único novato.

Separamos neste guia do GRANDE PRÊMIO as principais informações a respeito dos três pilotos: Onde estavam? Por que voltam? O que está por trás das escolhas das equipes? Eis, portanto, algumas explicações.

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A volta de Kevin Magnussen quase aos 45 do segundo tempo

Antes da guerra de fato acontecer, o leste europeu vivia dias de muita tensão. Foi a partir do dia 24 de fevereiro que tropas da Rússia invadiram o território da Ucrânia, algo que se desenhava há anos, avançando em direção à capital Kiev, que vem sendo diariamente bombardeada desde então. A invasão em larga escala ao território ucraniano acontece por terra, mar e ar.

A situação atingiu em cheio a Haas, que tinha uma gigante russa do ramo de fertilizantes como principal patrocinadora, a Uralkali. Além da grande ajuda financeira à equipe, é também verdade que a empresa era a maior responsável por segurar a vaga de Nikita Mazepin, já que seu pai, Dmitry, era o patrocinador e dínamo financeiro.

Apesar da Federação Internacional de Automobilismo [FIA] decidir que pilotos e equipes da Rússia poderão seguir no esporte a motor com bandeira neutra, Mazepin teve seu contrato interrompido. Ainda no último dia de testes em Barcelona, pouco mais de 24 horas após a ofensiva militar, a equipe americana apareceu sem estampar a marca da Uralkali nos carros e também sem as cores da bandeira russa. À imprensa, Guenther Steiner, chefe da equipe, assegurou que a Haas não seria afetada pela situação, mas não assegurou o posto de Mazepin. Demorou alguns dias até que o cancelamento dos acordos fosse confirmado.

Kevin Magnussen está de volta à F1 (Foto: Haas)

Aí entrou — ou, melhor, voltou — Kevin Magnussen. Vale lembrar que antes do dinamarquês, Pietro Fittipaldi, piloto de testes e reserva da Haas, surgiu como um possível substituto. Mas o impasse foi realmente a falta de um patrocínio robusto para entrar de vez na F1. A vaga, então, ficou com o já experiente dinamarquês que tem consciência do que vai encontrar no time que tem fábrica em Banbury.

Embora tenha ficado longe da categoria por um ano, Kevin foi piloto da Haas entre 2017 e 2020. Acabou perdendo o lugar na esquadra em 2021, por conta da chegada endinheirada de Mazepin. Partiu, então, para o IMSA SportsCar — campeonato americano de endurance — pela Ganassi e foi chamado para estrear pela Indy ainda no ano passado, ao substituir Felix Rosenqvist na McLaren, após o sueco se acidentar na etapa de Detroit.

Para 2022, o plano era fazer parte do retorno da Peugeot ao WEC, o Mundial de Endurance da FIA. Só que agora, com uma vaga fresca e um tanto quanto inesperada, o dinamarquês terá sua terceira chance na F1. Vida nova não é novidade para Kevin, que foi impulsionado ao grid da F1 pela primeira vez em 2014. Após um ano, foi sugado do time para a entrada de Fernando Alonso e terminou passando 2015 como piloto reserva. Voltou à cena pela Renault, em 2016, antes de pular para a Haas no ano seguinte. Agora, volta ao time que mais defendeu – e onde fez parte dos melhores dias, em 2018, quando a Haas lutou pelo quarto lugar do Mundial de Construtores.

A volta de Alexander Albon na Williams

Alexander Albon substituiu Pierre Gasly na Red Bull no meio da temporada de 2019, quando o francês fora rebaixado para a Toro Rosso. O anglo-tailandês tinha apenas algumas corridas de experiência. A história dele com a F1 é cheia de um elemento: pressa. Albon não era piloto Red Bull quando foi chamado para a Toro Rosso em 2019 – tinham inclusive, acordo para defender a Nissan na Fórmula E. Mas foi e foi para a equipe ‘A’ rapidamente, também sem larga preparação. Ficou com os taurinos até o fim da temporada de 2020 — conquistou dois pódios —, mas perdeu lugar para Sergio Pérez em 2021.

Albon, então, aventurou-se no DTM no ano passado, mas sempre deixou claro que estava atento às possibilidades que surgissem na F1. E surgiu na Williams, com a subida de George Russell à Mercedes. Ele, então, foi o nome escolhido pela equipe de Grove para o lugar do britânico. No tradicional time que ainda leva o sobrenome de Frank Williams, apesar de não mais pertencer à família, terá algo que nunca teve na F1: preparação adequada. Afinal, teve desde o fim do ano passado para se preparar.

Alexander Albon terá nova chance na F1 (Foto: Williams)

A rapidez da decisão, no entanto, surpreendeu, dada a novela que se formava nos bastidores da F1. Albon era o motivo de uma queda de braço entre Mercedes e Red Bull: a primeira só o queria na Williams se rompesse os vínculos com a segunda. O motivo é compreensível: a Mercedes fornece os motores da Williams e não queria um piloto da principal rival infiltrado em sua tecnologia. Alex mantém o apoio dos taurinos, mas agora de forma mais distante. Não será um piloto Red Bull de fato e direito, assim como Esteban Ocon, na Renault/Alpine, não pode ser um piloto da Mercedes, apesar dos laços que ainda persistem.

“Significa que temos uma boa relação com Alex, ele mantém uma ligação com a Red Bull, e temos uma opção em seus serviços se forem solicitados em 2023. O contrato dele se encerra ao fim do próximo ano, então o que fizemos foi acelerar o processo e assegurar opções de futuro para ele”, explicou Christian Horner, chefe do time dos energéticos.

Enfim, Albon tem a chance de um começo natural na Fórmula 1. Mas está pressionado a ter sucesso ou vida curta.

A estreia do jovem Guanyu Zhou

Guanyu Zhou mal chegou e já tem um marco importante: será o primeiro piloto chinês titular na Fórmula 1. Mas antes de ter sua presença confirmada no grid de 2022, após a saída confirmada de Antonio Giovinazzi, a novela da Alfa Romeo foi longa. Vários nomes chegaram a ser apontados no paddock para fazer companhia a Bottas. Desde Alexander Albon; passando por Nyck de Vries, campeão da Fórmula E e reserva da Mercedes; Oscar Piastri, então líder e depois campeão da Fórmula 2; o prodígio francês Théo Pourchaire; e, mais recentemente, Colton Herta.

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Zhou se prepara para estrear de forma oficial na F1 no GP do Bahrein (Foto: Alfa Romeo)

Só que o acerto entre Zhou e Alfa Romeo para a Fórmula 1 em 2022 está longe de surpreender. Uma semana antes do anúncio, por exemplo, uma concessionária da marca italiana na China deixou escapar a ida de Guanyu para a equipe ao escrever na sua vitrine: “Força, China! Força, Alfa Romeo, Vamos, Guanyu Zhou!”. Daí em diante, era somente esperar pela apresentação do piloto.

Membro da academia de desenvolvimento de jovens pilotos da Alpine, Zhou, que já integrou também a Academia da Ferrari, completiu pela Fórmula 2 desde a temporada 2019, sempre com a UNI-Virtuosi. Em 2021, o asiático inclusive teve a chance de pilotar o carro de F1 da Alpine no treino livre 1 do GP da Estíria, no Red Bull Ring. Na F2, ao todo, ele teve quatro vitórias e fez no ano passado seu melhor campeonato. Terminou com o vice-campeonato, com 103 pontos, apenas cinco tentos atrás do campeão Oscar Piastri.

Zhou, por sua vez, chega à Fórmula 1 muito por conta também da força dos patrocinadores locais. Segundo informa o diário suíço Blick, o chinês levará à Alfa Romeo um aporte anual de cerca de US$ 25 milhões (ou R$ 136,4 milhões).

A F1 é, evidentemente, o desafio de uma vida para Zhou. Com um veterano como Bottas ao lado e empolgado para fazer o papel de mentor, o chinês terá um ambiente ao menos aparentemente favorável para aprender. Depende do rendimento que a Alfa Romeo conseguir impor no primeiro ano com as novas regras, algo que pareceu preocupante nos testes de pré-temporada, onde os problemas de confiabilidade foram recorrentes. Mas Zhou tem cacife financeiro para viver uma longa carreira na F1 caso rapidamente chegue e prove pertencer aos meandres da F1. Caso não pertença, como o nobre leitor já deve ter percebido, nem todo o dinheiro do mundo te mantém por muito tempo.

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